Sou Flávio Luís, escultor brasiliense, tenho 39 anos, deficiente visual desde 1998.  Minha carreira teve início em 2000, a partir das oficinas de barro com objetivo de apuração do tato para as aulas de braile, no Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais – CEEDV, na 612 sul.

Em 2003 voluntariei-me como elemento de estudo na monografia intitulada “Mosaico no ensino especial: a aplicação do mosaico com deficientes visuais”, da aluna Josemeire V. Coelho, do curso de Licenciatura em Educação Artística da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes. Em 2005 participei com destaque no projeto “Oficinas de Arte para Cegos com Foco no Mosaico e na Cerâmica” apoiado pelo Fundo da Arte e Cultura do DF.

As peças que desenvolvi causaram grande impacto em palestras, wokshops e exposições com performances de esculturas feitas ao vivo em reconhecidas instituições como UnB (Universidade de Brasília), UNI-DF (Centro Universitário do DF), FIPLAC, (Faculdades Integradas do Planalto Central), Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, Espaço Cultural Renato Russo, CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), Câmara e Senado Federal (Salão Negro e Senado Galeria), Espaço Cultural Contemporâneo Ecco, Correios, Rotary, Ministério Público do DF, dentre outras. Da mesma forma tive o respaldo da mídia local pela minha performance de técnica e criatividade, sendo tema de matérias em jornais e Tvs sobre arte e superação.

Atualmente faço parte do grupo de escultores Artes Táteis, no Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul e atuo como conselheiro fiscal da ABDV, Associação Brasiliense de Deficientes Visuais.

Hoje, com o trabalho mais amadurecido, percorro galerias e eventos com performances de esculturas feitas ao vivo, em Brasília, demonstrando a técnica de escultura adaptada para cegos, desenvolvendo obras com um diferencial comparável tanto com produções de artistas plásticos cegos quanto de artistas visuais.

Almejando enriquecer cada vez mais minhas peças escultóricas, alimento ainda o desejo de acrescentar o uso do torno cerâmico e técnicas de esmaltação e fundição em bronze, abrindo novas possibilidades de expansão de criatividade para oferecer ao público um trabalho com resultado cada vez mais diferenciado.

Para isto consulto-lhe a possibilidade de apoiar-me na busca pelo aprimoramento da arte, no sentido de poder oferecer essa bagagem, expondo para outros públicos numa troca de experiências. 

 

 

A TÉCNICA ADAPTADA PARA CEGOS

 

Esta técnica é uma releitura da utilizada pelo escultor Israel Kislansky para modelagem da figura humana e baseia-se na simplicidade das formas geométricas, ou seja, formas elementares tais como o cubo, prisma, esfera e cilindro com bases triangulares e trapezoidais, dentre outros, e pequenas placas ou tiras complementares, agregadas conforme a necessidade de composição da figura projetada mentalmente. Esse fundamento facilita a sistematização da obra e o processo de construção, pois a pessoa cega requer níveis mais altos de abstração e maior trato - cognitivo e tátil – no que se refere a retirada de elementos para formar uma escultura,  considerando-se que é mais fácil somar do que subtrair. 

Desta experiência formou o “Grupo Artes Táteis”, em 2005, composto por cinco escultores cegos que hoje percorrem galerias e eventos com performances de esculturas feitas ao vivo com a técnica de escultura adaptada para cegos, desenvolvendo obras com um diferencial comparável tanto com produções de artistas plásticos cegos quanto de artistas visuais, o que vem a confirmar que alguns ramos da arte não ficam comprometidos com a deficiência visual. O resultado é relevante nos aspectos emocionais, culturais, artísticos e sociais desses cegos e da comunidade onde atua.

     Esse estudo foi apresentado no III Simpósio Ciência e Arte 2006, no Rio e na III Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em Brasília, 2006.

 

 

Flávio Luis da Silva

(61) 3384 7667 / 9966 9767 / 3322 9718