Caminhos Visuais
Desde o início do século 20, os cientistas sabem que a
percepção visual e a ação resultante de um estímulo direcionado ao sistema
funcional são coisas distintas, lidas em partes diferentes do cérebro. Até
hoje, entretanto, ninguém havia descrito com exatidão essas diferenças em
pessoas sadias. A maior parte das pesquisas ocorreu em pessoas com algum tipo
de disfunção visual.
Um trabalho realizado na Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, por
causa da sua importância, ganhou a capa da revista Neuron. Por meio de imagens
obtidas por ressonância magnética, o pesquisador Ehud Zohary e colaboradores
conseguiram mapear os processos distintos.
Os participantes do estudo foram submetidos a dois tipos de teste: tiveram que
assistir vídeos com vários objetos e ainda interagir, ao vivo, com esses mesmos
itens. Ao identificar o tráfego dos sinais cerebrais, os pesquisadores fizeram
uma importante constatação.
Ao observar os objetos presentes na tela, foi estimulado um conjunto de células
do córtex cerebral. No segundo caso, a parte do cérebro mais ativada estava no
lóbulo parietal.
Além dessa diferença, em ambos os casos as áreas do cérebro responsáveis pela
coordenação motora dos seres humanos foram ativadas. Isso indica que existe uma
inter-relação entre a origem das ações humanas e a interpretação dos mesmos
movimentos feitos por outra pessoa. Essa relação é importante, uma vez que essa
conexão forma uma das bases da comunicação social.
Até hoje, esse tipo de mecanismo havia sido verificado apenas em indivíduos não
sadios. Enquanto dentro de determinados grupos alguns conseguem pegar um objeto
ao ser apresentado a ele, mas não são capazes de descrever nada sobre textura
ou tamanho, por exemplo, a recíproca também já foi descrita. Algumas pessoas
conseguem descrever determinados itens, mas não são capazes de segurá-los
quando os mesmos são apresentados a elas.
Fonte: Agência FAPESP